sexta-feira, 16 de novembro de 2012

ÁGUAS-VIVAS DÃO UMA ‘MÃOZINHA’ CONTRA O CÂNCER

As coisas que os cientistas inventam para fazer suas pesquisas são, muitas vezes, tão interessantes quanto a própria pesquisa. Veja o caso deste estudo publicado na edição desta semana da revista PNAS (da Academia Nacional de Ciências dos EUA): os pesquisadores inspiraram-se nos tentáculos das águas-vivas para desenvolver uma tecnologia capaz de capturar células cancerígenas (e apenas células cancerígenas) de uma amostra de sangue de um paciente.

Funciona assim: o sangue é injetado por microcanais de um chip de apenas 1 centímetro quadrado, cujas paredes internas estão revestidas com anticorpos que se ligam com proteínas presentes exclusivamente na superfície de células tumorais. De modo que, ao passarem pelo microcanal, essas células são capturadas e ficam presas ao canal, enquanto que as outras células (normais) fluem de um lado para outro do “tubo” sem problemas. A intenção é detectar a presença de células tumorais na corrente sanguínea do paciente, tanto para fins de diagnóstico quanto de tratamento e monitoramento. Neste caso, o estudo foi feito mirando células de leucemia, mas a tecnologia pode, em tese, ser adaptada para qualquer tipo de câncer … basta ter um anticorpo com especificidade suficiente para “agarrar” exclusivamente as células de um ou outro determinado tipo de tumor.

O problema é (ou era) o seguinte: os anticorpos são moléculas muito “curtinhas”, e por mais apertado que seja o diâmetro dos microcanais, há uma probabilidade estaticamente significativa de células cancerígenas passarem pelo tubo sem encostarem nas bordas e, portanto, sem serem capturadas … o que resultaria num diagnóstico pouco preciso da presença e/ou da quantidade dessas células no sangue do paciente. Nada bom.

A solução, inspirada nas águas-vivas, foi prender os anticorpos à ponta de longas cadeias de DNA que ficam “dançando” como tentáculos dentro dos microcanais — aumentando, assim, consideravelmente as chances de as células cancerígenas serem capturadas por eles. É mais ou menos o que as águas-vivas fazem na natureza para se alimentar, “varrendo” a água do mar com seus tentáculos para capturar animais (desde plâncton até pequenos peixes) que derem o azar de estar passando por ali naquele momento. Imagine que a célula cancerígena é um minúsculo organismo planctônico circulando aleatoriamente pelas correntes oceânicas: as chances de você agarrá-lo com os longos tentáculos de uma medusa errante é bem maior do que com os pequenos tentáculos de uma anêmona presa ao substrato marinho, por exemplo. Imagine só!

Com isso, os pesquisadores agora estimam ser capazes de capturar de 60% a 80% das células cancerígenas na amostra. (ainda precisa melhorar, mas já melhorou bastante).

Mais detalhes podem ser obtidos neste release do MIT:

As coisas que os cientistas inventam para fazer suas pesquisas são, muitas vezes, tão interessantes quanto a própria pesquisa. Veja o caso deste estudo publicado na edição desta semana da da revista PNAS (da Academia Nacional de Ciências dos EUA): os pesquisadores inspiraram-se nos tentáculos das águas-vivas para desenvolver uma tecnologia capaz de capturar células cancerígenas (e apenas células cancerígenas) de uma amostra de sangue de um paciente.

Funciona assim: o sangue é injetado por microcanais de um chip de apenas 1 centímetro quadrado, cujas paredes internas estão revestidas com anticorpos que se ligam com proteínas presentes exclusivamente na superfície de células tumorais. De modo que, ao passarem pelo microcanal, essas células são capturadas e ficam presas ao canal, enquanto que as outras células (normais) fluem de um lado para outro do “tubo” sem problemas. A intenção é detectar a presença de células tumorais na corrente sanguínea do paciente, tanto para fins de diagnóstico quanto de tratamento e monitoramento. Neste caso, o estudo foi feito mirando células de leucemia, mas a tecnologia pode, em tese, ser adaptada para qualquer tipo de câncer … basta ter um anticorpo com especificidade suficiente para “agarrar” exclusivamente as células de um ou outro determinado tipo de tumor.

O problema é (ou era) o seguinte: os anticorpos são moléculas muito “curtinhas”, e por mais apertado que seja o diâmetro dos microcanais, há uma probabilidade estaticamente significativa de células cancerígenas passarem pelo tubo sem encostarem nas bordas e, portanto, sem serem capturadas … o que resultaria num diagnóstico pouco preciso da presença e/ou da quantidade dessas células no sangue do paciente. Nada bom.

A solução, inspirada nas águas-vivas, foi prender os anticorpos à ponta de longas cadeias de DNA que ficam “dançando” como tentáculos dentro dos microcanais — aumentando, assim, consideravelmente as chances de as células cancerígenas serem capturadas por eles. É mais ou menos o que as águas-vivas fazem na natureza para se alimentar, “varrendo” a água do mar com seus tentáculos para capturar animais (desde plâncton até pequenos peixes) que derem o azar de estar passando por ali naquele momento. Imagine que a célula cancerígena é um minúsculo organismo planctônico circulando aleatoriamente pelas correntes oceânicas: as chances de você agarrá-lo com os longos tentáculos de uma medusa errante é bem maior do que com os pequenos tentáculos de uma anêmona presa ao substrato marinho, por exemplo. Imagine só!

Com isso, os pesquisadores agora estimam ser capazes de capturar de 60% a 80% das células cancerígenas na amostra. (ainda precisa melhorar, mas já melhorou bastante).

Mais detalhes podem ser obtidos neste release do MIT: On the hunt for rare cancer cells. Ou na íntegra do trabalho na PNAS: Bioinspired multivalent DNA network for capture and release of cells.

Do: estadao.com.br

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