sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Imunoterapia promete ser a forma de tratamento mais eficiente e menos agressiva na oncologia

Nova estratégia reduz as chances de reincidência da doença
Uma criativa apresentação teatral do tumor atacando as células saudáveis no organismo, abriu uma das plenárias do II Congresso Todos Juntos Contra o Câncer. Os oncologistas Dr. Antonio Buzaid e Dr. Fernando Maluf, do Centro de Oncológico Antônio Ermírio de Moraes, representaram a cena.

Muitas formas de tratamento já são utilizadas, como a quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e cirurgia. Além disso, também é possível agir por conta própria com exercícios e alimentação. “Existem vários trabalhos que mostram que o exercício libera hormônios que protegem contra o câncer de mama e próstata e reduzem a taxa de mortalidade” afirma o Dr. Maluf. É constatado que pacientes com dieta rica em açúcar e gordura, tem duas vezes mais chances de apresentar reincidência da doença.

De acordo com os especialistas, a imunoterapia é a estratégia de tratamento mais promissora que concerne a remissão de potencial da doença.

Ainda em experimento, a imunoterapia trabalha na estimulação do sistema imunológico, com a aplicação de substâncias que interferem na reação biológica do sistema de defesa, de uma forma menos prejudicial ao corpo. Existem dois tipos: ativa e passiva. Na ativa, a função principal é restringir o crescimento do tumor, já na passiva, o objetivo é combater as células tumorais.

Diferente da imunoterapia, a quimioterapia ataca as células cancerígenas e outros tecidos do corpo, como o sangue (células de defesa, glóbulos vermelhos e plaquetas), mucosas (boca e trato gastrointestinal) e cabelos (folículos capilares). Com efeitos colaterais bem conhecidos, ela causa náusea, vômitos, perda de apetite, fraqueza, anemia e queda de cabelo. Para este último, já há solução que ajuda a manter de 70% a 80% do cabelo. Uma touca de gel resfriada reduz a circulação sanguínea, diminuindo a chegada do sangue com medicamento até a região da cabeça. Existem poucas contraindicações, como nos casos de câncer de origem hematológica, entre os linfomas e leucemias.

Hoje, a queda de cabelo, nomeada de alopecia, é um dos principais fatores que incidem na depressão, ansiedade e imagem corporal negativa, interferindo na progressão do tratamento. Esse tipo de procedimento só é possível graças às pesquisas clínicas que buscam novos tratamentos, mais eficazes e com menor agressividade ao corpo. “A pesquisa clínica é a melhor estratégia, e que mais poderá ampliar o acesso ao tratamento”, afirma o Dr. Buzaid.

Pesquisas clínicas
O Brasil está muito atrás na corrida das pesquisas clínicas. Ele representa apenas 1,7% das pesquisas desenvolvidas no mundo. Além disso, o país também é um dos que mais levam tempo para a aprovação de novos produtos, com uma espera de 10 a 14 meses.

Esse é o único país que precisa de uma aprovação tripla para a liberação de um novo medicamento. A primeira fase passa por um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), depois pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e por último, é enviado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

De acordo com Dr. Buzaid, os procedimentos aplicados no Brasil levam a impactos negativos tanto para médicos, quanto para pacientes, entre eles, a perdas de estudo, distanciamento das inovações, redução na produção científica e falta de acesso dos pacientes à tratamentos inovadores. 


*Instituto Lado a Lado pela Vida. 

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